quarta-feira, 17 de junho de 2009

“Que palhaçada...”

Hoje, depois de saber da noticia, que por oito votos a um, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a exigência do diploma para jornalistas, quase levantei da cadeira e fui rasgar o meu diploma. Somente não rasguei, porque me custou muito caro. Mesmo sem condições, estudei numa universidade particular (o que acontece com os pobres, porque os ricos estão nas federais) e sofri muito para custear os meus estudos.

Quer dizer que eu acordo hoje e decido ser jornalista e sou? Não preciso me qualificar para isto? Vou mandar para o senhor ministro presidente do STF, Gilmar Mendes, a conta de tudo o que gastei na minha faculdade, com mensalidades, livros, apostilas, cadernos, entre outros.

A advogada do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp- autor do Recurso que o STF acatou), Tais Gasparian, argumentou aos ministros que a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo é inconstitucional, porque a Constituição de 1988 garante a liberdade de expressão e do livre pensamento. Ela disse ainda que a profissão de jornalista não depende de conhecimentos técnicos.

A SIM... prezada advogada, quer dizer que qualquer um pode sair por aí escrevendo qualquer coisa e não existe normas para se escrever uma matéria? Quer dizer que nossas aulas de técnicas de redação não serviram para nada?

Gilmar Mendes diz ainda que a profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como Medicina, Engenharia, Advocacia, nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão.

QUE PALHAÇADA... e que pena, deveríamos aprender uma forma de por em risco a coletividade, aí sim poderíamos ser valorizados.

Por não haver razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão se castiga quem já estudou, o igualando com qualquer pessoa que, muitas vezes não tem até mesmo, o primeiro grau completo e se diz jornalista e pior, toma o lugar de muitos que freqüentaram durante quatro ou cinco anos um curso universitário, se “qualificando”, ou melhor, se “desqualificando”.

A... QUE ÓTIMO... o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, quer que dar mais emprego aos médicos, advogados que entendem sobre determinado assunto, então eles podem exercer a função de jornalista e não um jornalista se interar de um fato ligado a Medicina ou a Advocacia e escrever uma matéria. Nossa... que coisa absurda de se ler.

Obrigada ministro Marco Aurélio Mello, único que votou pela manutenção do diploma e ao advogado da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), João Roberto Fontes, que se manifestou dizendo que há a necessidade do diploma para garantir a boa prática do Jornalismo. "A exigência do diploma não impede ninguém de escrever em jornal. Não é exigido diploma para escrever em jornal, mas para exercer em período integral a profissão de jornalista. O Jornalismo já foi chamado de Quarto Poder da República. Será que não é necessário o conhecimento específico para ter poder desta envergadura? Um artigo escrito por um inepto poderá ter um efeito devastador e transformar leitores em vítimas da má informação", afirmou.

Janice Ribas - jornalista “com diploma”

janiceribas@hotmail.com

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