Mino Carta(eu) recebe ligação telefonica e atende, falando sobre o caso Cesara Batisti:
Telefona Jean-Paul Lagarride de Darfur(ele). Pergunta: “Vem cá, o Tarso Genro quer declarar guerra à Itália?” “Talvez”, admito. Segue-se o seguinte diálogo.
Ele – Além de jurista, trata-se de um professor de história e ciências políticas. Um mestre.
Eu – Você acha?
Ele – Claro, acaba de dar à Itália uma aula de democracia. Como o Brasil saiu dos seus anos de chumbo? Com a lei da anistia. A Itália, até hoje, não fez a sua lei da anistia.
Eu – Deve ser porque a Itália não teve um general Golbery.
Ele – Pois é. E como o velho Golba fez à Itália.
Eu – Quem sabe o nosso Tarso não tenha percebido que há chumbo e chumbo?
Ele – Pois é. O Brasil de 1964 a 1985 sofreu uma ditadura capaz de criar um poderoso, feroz Terror de Estado, saiu dela porque o Golbery inventou a distensão que depois virou abertura pelo caminho das indiretas, exatamente com o Merlin do Planalto decidira, e com os candidatos por ele mesmo escolhidos: Paulo Maluf e Tancredo Neves.
Eu – A Itália nos anos 70 tornou-se a área de um confronto violentíssimo gerado pelo terrorismo, de esquerda e de direita, destinado a subverter a ordem, desestabilizar o País e impedir a ascensão dos comunistas ao poder, os comunistas eurocêntricos que haviam rompido com os dogmas moscovitas. Enquanto a ditadura brasileira cometia barbaridades sem conta à sombra do AI-5, o Estado italiano enfrentou o terrorismo sem alterar sua Constituição. Seria interessante que Tarso Genro e o advogado Greenhalgh consultassem os livros.
Ele – Será que são dados a certas leituras? Imagino que preferiam ler somente o que lhes interessa.
Eu – Não sei, mas a literatura a respeito de como a Itália saiu do fascismo é farta. Ao contrário do que aconteceu no Brasil, o povo elegeu uma Constituinte exclusiva que se habilitou a produzir uma Carta de longa vida, dura até hoje para garantir o Estado democrático de direito. Nos anos setenta, torturadores do Terror de Estado brasileiro davam aulas no Chile e no Uruguai.
Ele – Aliás, o político que comandou a operação parlamentar que derrotou a emenda das eleições diretas...
Eu – Desculpe se interrompo, eleições diretas que o povo reclamou com uma campanha maciça e empolgantes, um grande movimento que honra a nação...
Ele – Falava do tal político, José Sarney, ao cabo virou presidente.
Eu – Os fados gregos são grandes humoristas. Diga-se que o quinta coluna durante a campanha das diretas-já, o agente infiltrado, foi Tancredo Neves.
Ele – Outra comparação inadequada diz respeito ao tratamento aos imigrantes. Bem, o Brasil tem espaço à beça, a Itália está super-lotada.
Eu – Sacrossanta verdade. Também é verdade, porém, que a atual maioria parlamentar liderada por Silvio Berlusconi baixou leis de inspiração fascista para conter a chegada dos imigrantes, ou limitar seus direitos na Itália. E eis outro aspecto da questão que acentua e sublinha o erro de Tarso Genro: com sua decisão, dá combustível aos fascistóides da política berlusconiana.
Ele – E agora?
Eu – Sei lá.
Aqui é o Colunista: Será que o povo brasileiro, vai abrir os olhos nas próximas Eleições, e entender porque Sarney(lider dos 5a Colunas) e Lula estão tão juntos.
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