OS (DES)CAMINHOS DA CRISE
Qual é a saída para essa crise que, segundo alguns, ainda não chegou, de verdade, no Brasil e que, para outros, não passa de uma marola, e blablabla.
A revista Veja desta semana(15/04), traz uma entrevista com Francis Fukuiama, que ficou famoso com o livro O Fim da História e o Último Homem. E, no entendimento de Fukuiama, o liberalismo é o caminho, ao mesmo tempo em que faz críticas severas a como os republicanos(liberais) se portaram em seus governos desde a era Reagan.
Para ele, os Estados Unidos, precisam repensar o estado mínimo para vencer a atual crise - sem abrir mão dos valores liberais, e ele explica. Não há nada de errado com o liberalismo, como alguns querem fazer crer. As receitas liberais, baseadas no livre mercado e na globalização, ainda é a melhor alternativa para o desenvolvimento global. Segundo ele, milhões de pessoas deixaram a linha de pobreza nos últimos tempos, justamente por causa do crescimento econômico robusto do mundo.
A crise não foi provocada pelo liberalismo, e sim, porque foram adotadas políticas equivocadas, acreditando numa desregulamentação máxima dos mecanismos financeiros, e na idéia de que os mercados iriam se ajustar automaticamente a qualquer situação.
No entanto, ele não acredita que seja uma boa saída criar ou dar a uma instituição supranacional o papel de regular todo o mercado mundial. As reformas visando regular o mercado devem ser nacionais ou regionais.
Ao comparar os Estados Unidos com a América Latina, ele afirma que a disparidade no desenvolvimento latino-americano se deve às freqüentes desestabilizações políticas e erros na política econômica, como a política fiscal frouxa e a inflação alta, heranças que vieram com os nossos colonizadores. Os altos índices de desigualdades também se explicam por essa herança.
Os Estados Unidos, por exemplo, tiveram uma única revolução, a da Independência, e só uma descontinuidade, com a Guerra Civil de 1861. Além disso, a sociedade americana possui um consenso muito forte de respeito à constituição e ao estado de direito, e que, por aqui, se encontra seguidamente só ameaça(grifo meu).
Para Fukuiama, ainda que os E. Unidos saiam da crise com a imagem arranhada como país promotor de democracia e de capitalismo, o pior da história toda é que, na esteira da crise, estamos assistindo a um aumento do nacionalismo econômico, e cujo desdobramento mais nefasto é o protecionismo.
Fukuiama disse, ainda, que só acreditará numa alternativa viável à democracia liberal se, no prazo de uma geração(35 anos), o regime autoritário da China conseguir mesmo levar o país a igual nível de desenvolvimento dos Estados Unidos e da Europa. Mas ele e não acredita que esse objetivo possa ser alcançado pelo atual modelo chinês.
Oscar Lehenbauer
Chefe de Gabinete
Dep. Paulo Borges
segunda-feira, 27 de abril de 2009
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