sexta-feira, 2 de abril de 2010

VOCÊ É UM DOS JUDAS DE HOJE?

Judas se tornou o símbolo da traição porque fazia parte do grupo íntimo dos apóstolos. Lucas nos descreve de maneira solene e íntima a cena da escolha dos apóstolos. Jesus passou a noite rezando. Chamou os que quis com a finalidade de estar com ele. E depois vieram os meses e anos de convivência nas mesmas caminhadas, nas noites ao relento, nas pregações, nas refeições simples do dia a dia e nas festas. Enfim viviam Jesus e Judas elos de amizade, de confiança, de esperança entre si. De repente, rompe-se tal liame e Judas entrega Jesus aos adversários.
Traição dói na proporção inversa da distância. Quanto mais próxima se sente a pessoa traidora, tanto maior a dor do traído. Pelo contrário, já nem se considera traição quando as ligações entre os parceiros se tornaram distantes ou nem existiam mais. A traição se situa no mundo das amizades, das vinculações afetivas intensas, das ligações íntimas, das proximidades de vida. Dois sócios, anos a fio, na mesma batalha, de repente, um passa a rasteira no outro. Uma esposa fiel, devotada ao marido, ligada a ele afetivamente e que imaginava correspondida, subitamente vem a saber que ele freqüenta outros amores, e vice-versa. Entre dois amigos que caminhavam como irmãos, se confidenciavam, partilhavam bens físicos e espirituais, um percebe que o outro jogava com duplicidade.
Nos anos escuros da repressão militar, aconteceram traições duras e dolorosas. Companheiros de luta que denunciam o colega por alguma vantagem provisória. Outros se aproximaram fingidamente já com a intenção de captar informações para comunicá-las aos órgãos de segurança.
Dois gêneros, portanto, bem diferentes de traição. Uma, como a de Judas, que passou da amizade para decepção, para desilusão, para a perda de vinculação até a entrega. Processo lento que foi minando o coração até que ele se corrompeu a ponto de renegar a amizade e trair.
Outros vestem a roupa da traição de antemão. Já entram no jogo com fito bem claro de trair por interesse econômico, por algum benefício material ou para garantir-se a amizade e beneplácito do poder. As ditaduras, os regimes absolutistas, as instituições totais, os grupos fundamentalistas e rígidos fabricam traidores em troca de benfeitorias. A espionagem, que pode ser feita à revelia, à distância, com os recursos eletrônicos especializados e despercebidamente, recorre então à colaboração de um traidor. Nessa categoria entram pessoas que por medo, fraqueza, ambição ou por interesses concretos aceitam tal papel.
Poucas experiências destroem alguém por dentro como a traição. Não precisa de nenhum juiz de fora. A covardia, o abuso da amizade, a técnica enganadora depõem fortemente contra a limpidez e lisura de personalidade. Cinde-a. Esquizofreniza-a. Pobre traidor, cortado por dentro, embora tenha recebido alguns benefícios materiais, será tomado pela desgraça interna.
Pense nisso, reflita e seja feliz. Pelo menos tente.

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